monóptero

os poemas 
devem morrer 
por vezes 
mergulhados no ácido da repetição 
para que se dilua o sentimento 
para que na folha seguinte seja preciso dizer 
tudo de novo 
mas como novidade  
os poemas 
devem por vezes 
morrer 
numa morte esconjurada que observe o fim 
mas que não impeça o reinício 
uma escrita paradoxal 
como o próprio tempo 
que deverá morrer aos poucos 
a esculpir a obra 
a esculpir a inspiração 
como o vento lento esculpe a rocha.

Notes

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Arithmetica